A FUGA PARA O EGITO

Desde a partida dos reis magos,
José estava sendo assaltado
Por maus pressentimentos
Em relação ao seu filho amado.

Até que numa noite
Foi visitado novamente
Por aquele anjo luminoso
Que lhe aparecera anteriormente

Ao nascimento de Jesus.
E lhe deu a confirmação
Daquilo que seria para José
A mais negra apreensão.

Foge, José! dissera o anjo
Com muita seriedade 
Toma o teu filho e foge com Maria
Para o Egito com celeridade,

Pois Herodes deseja matá-lo.
Tão logo José despertou
Daquele terrível sonho,
A sua esposa acordou

E disse a ela naquele instante:
Levante, minha esposa querida,
E enrole Jesus em dois mantos,
Pois que estamos de partida 

Falou José sem dar mais explicações.
Maria ficou olhando o marido,
Certa de que alguma coisa
A José havia acontecido.

Ela conhecia muito bem
Aquele estado alterado
Que envolvia a seu esposo
Naquele instante aprazado,

Pois ela mesma, também,
Já passara pela experimentação.
Certamente, José recebera
Uma divina comunicação.

Sem qualquer pergunta
Maria seguiu a orientação
De seu esposo querido
E preparou o pequeno varão

Para partirem em família
Rumo a outra localidade.
Depois que os três partiram,
José sentiu a necessidade

De contar para sua esposa Maria
O que ocorrera na realidade.
Seguiram juntos para o Egito
Deixando a pequena cidade

Onde nascera o menino Jesus.
Após vários dias, os três,
Depois de exaustiva caminhada,
Atravessaram o istmo de Suez,

Penetrando no Baixo Egito.
Estabeleceu-se o trio, provavelmente,
Nas proximidades de Heliópolis
Onde existia, felizmente,

Um lindo templo judaico.
A permanência deles na região
Foi marcada pelo desterro,
E sofreram muita privação.

Alugaram uma modesta vivenda
Nos arrabaldes da cidade;
E José, carpinteiro de profissão,
Trabalhava com tenacidade

Para prover a sua família
Do que fosse necessário;
E viverem com dignidade,
Percebendo pequeno salário.

As mãos hábeis de Maria
Cercaram a pequena habitação
De uma horta e um jardinzinho.
Além dessa ocupação,

Maria preparava as refeições,
Como também tecia e fazia
Os vestuários que todos eles
Utilizavam no dia-a-dia.

O Egito não deixava de ser
Para todo israelita, certamente,
Uma terra considerada santa,
Já que, tradicionalmente,

As veneráveis tradições
Do povo eleito de Israel
Radicavam-se nesse solo,
Desempenhado o seu papel,

Intimamente irmanadas
Com o país e a saga dos faraós.
No Egito tinham vivido
Moisés e da mesma forma Jacó.

Apesar dessas características,
Foi uma vida de dificuldade
Imposta àquela família
Que suportou com fé e coragem.

Mas, voltando um pouco no tempo,
Citaremos do apóstolo Mateus²
Uma das passagens mais tristes
Que naquela época aconteceu:

Vendo-se iludido pelos magos,
Herodes, com extrema crueldade,
Mandou matar todos os meninos
De Belém e dos arredores da cidade,

De dois anos para baixo,
Conforme a precisa informação
Que tivera dos três reis magos
Naquela fatídica reunião.

Então se cumpriu o que foi dito
Conforme escrito nas profecias,
Esse acontecimento hediondo
Predito pelo profeta Jeremias³:

“Ouviu-se um clamor em Ramá,
Pranto, choro e grande lamento;
Era Raquel, inconsolável, chorando demais
Por seus filhos que já não existiam mais”.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito