O NASCIMENTO DE JESUS

Para o leste de Belém,
Viam-se à meia légua de distância
As campinas de Beth-Sahur,
Em verdejante fulgor e exuberância.

Serena e bela corria a noite.
Das alturas da abóbada celestial,
Cintilavam incontáveis estrelas
Iluminando de maneira natural

Os palácios dos homens ricos
E os tugúrios dos menos favorecidos.
Lá fora, nas extensas planuras
Dos históricos e conhecidos

Campos de Beth-Sahur,
Viam-se grupos no pastoreiro
Sentados à frente de suas barracas,
Reunidos ao redor do braseiro,

Ao passo que outros, mais além,
Tomavam conta dos animais.
Era meia-noite passada.
A intensidade dos raios colossais

Do mantenedor da vida física,
Irradiado por meio da lua cheia,
Difundia por toda a atmosfera
Luzes argênteas a mancheias,

Envolvendo em mistérios
A vastidão do espaço noturno.
Os singelos e pacatos pastores
Durante a noite, por seu turno,

Passavam a contar histórias
De outras eras e de outros locais,
Quando não faziam comentários
Sobre as dificuldades existenciais

Dos impostos pagos a Roma,
Do decreto imperial recente
Referente ao recenseamento
Imposto a toda aquela gente;

Enquanto outros grupos falavam
Das esperanças de Israel,
Ansiando pela chegada do Messias,
Um emissário que viria do céu
Para libertar o povo sofrido
Dessa cruel escravidão.
De súbito, um guarda-noturno,
Solta um grito de exclamação

Entre surpreso e amedrontado.
Sobre uma das colinas de Belém,
Paira uma como neblina luminosa
Que, lentamente, aos poucos vem

Em direção ao acampamento
Onde estavam a conversar
Os pastores naquele instante.
Todos se põem a observar

O estranho e insólito fenômeno
Que naquele exato momento
Deixou estupefatos e extasiados
Os pastores no acampamento.

Agitam-se estremunhados
Os rebanhos no pasto recolhidos;
Os cães ladram sem parar;
E os pastores mais prevenidos

Empunham suas armas primitivas.
Tão intenso vai se tornando
O fulgor da misteriosa nuvem
Que, quanto mais vai se aproximando,

Ilumina grande parte dos campos
Daquela aprazível região,
Parecendo empalidecer o brilho
Das estrelas na escuridão.

Por algum tempo, os pastores
Ficam somente na observação
Em ansiosa expectativa
Sobre a luminosa aparição.

Eis que de repente surge
E do centro desse nevoeiro reluz
Uma figura de indizível beleza
Um ser aureolado de luz.

Os pastores, à vista da aparição,
Caem por terra, transidos de terror.
Outros fogem espavoridos…
Que seria aquilo?… Um anjo do Senhor?…
Entrementes, acercara-se deles,
Sem nenhum constrangimento,
A luminosa e estranha aparição
Que lhes disse naquele momento:

“Não temais! Eis que vos anuncio
Uma tamanha alegria,
Que caberá a todo povo:
Nasceu -vos, nesse dia,

Na cidade de Davi,
O Cristo, que é o Salvador,
E que com toda certeza
É o nosso Mestre e Senhor.

E isto vos servirá de sinal:
Um menino será por vós encontrado
Que estará envolto em faixas
E numa manjedoura deitado”.

Apenas o anjo acabou de falar,
Desfez-se a fúlgida nebulosa
Numa infinidade de seres celestes
Seres de beleza esplendorosa

Como não pode deixar de idear
A fantasia mais arrojada;
E em torno do primeiro anjo,
Como uma via-láctea formada

Entre o céu e a terra,
Começaram a girar e a bailar
Com uma graça indizível
E nesses termos a cantar:

“Glória a Deus nas alturas!
E continuando na mesma intensidade
E paz na face da Terra
Aos homens de boa vontade”.

Os pastores mal acreditavam
No que haviam presenciado;
Parecia-lhe um sonho irreal
Que eles tinham vivenciado;

Estavam inebriados do gozo
E queriam habitar eternamente
À luz daquela glória
Que os circundavam presentemente.
Pouco a pouco se foram
Os celestiais anjos cantores…
E esfregando os olhos deslumbrados,
Acabaram voltando a si os pastores.

Entreolharam-se mudos,
Em completa estupefação…
“Vamos até Belém”
Disseram alguns na ocasião

E confirmemos, então,
O que o anjo anunciou
Para todos nós senhores:
“Nasceu-vos hoje o Salvador”.

Abandonaram os seus rebanhos
E correram para Belém.
Galgaram a pequena colina
E um pouco, mais além,

Chegaram à gruta tão conhecida.
À entrada, ficaram na indecisão,
Se entravam ou se voltavam,
Devido a um estranho clarão

Que irrompia do interior.
Nisto aparece à entrada
Um homem de aspecto amável
E que, ouvindo a história contada

Pelos pastores que ali estavam,
Convida-os a entrar no ambiente
Onde confirmaram, eles próprios,
A verdade de forma patente.

Encontram um lindo menino
Em algumas faixas enrolado,
Que naquele instante preciso
Estava numa manjedoura deitado.

Ao lado dessa criança,
Uma jovem mãe se encontrava
E tanta era a vibração de amor
Que a todos contagiava.

Depois dessa visita
Voltaram às suas atividades
E espalharam por onde andaram
Essa maravilhosa novidade.
Após o nascimento de Jesus
José e Maria ainda ficaram
Algum tempo em Belém,
Se é que não intencionavam

Estabelecer-se lá definitivamente.
Belém era a terra natal
De todos os seus ascendentes;
E acabara de ser o local

Do maior acontecimento
Que o casal tinha vivenciado.
No oitavo dia de existência
O menino foi circuncidado

De acordo com a lei mosaica.
Competia ao pai, geralmente,
Executar esta cerimônia
Perante os convidados presentes.

Nesta ocasião especial
Os pais deram, com todo amor,
O nome de Jesus à criança
Que significa: “Salvador”.

Esta cerimônia foi realizada
No templo de Jerusalém
Que ficava a 13 quilômetros
Da cidadezinha de Belém.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 –  O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus