OS DOZE APÓSTOLOS

Certo dia, o Mestre Jesus,
Ainda no começo de sua pregação,
Andava as margens do mar da Galiléia
E refletia, decerto, nessa ocasião,

Sobre a Sua missão na Terra.
Quando parou, subitamente,
Ao avistar dois pescadores
Que trabalhavam afanosamente,

Lançando uma rede ao mar.
O resultado, contudo,
Parecia pouco animador.
Os pescadores faziam de tudo,

Mas infelizmente não conseguiam
Retirar peixe algum na ocasião.
Então, Jesus, nesse instante,
Tomado de súbita determinação,

Resolveu ir até onde estavam.
Ei, vocês! – Disse Ele firmemente
Aproximando-se dos pescadores
Que o fixaram atentamente.

Eles se chamavam Simão e André
E ao serem por Jesus chamados,
Deixaram o que estavam fazendo
E levantaram seus olhos cansados

Em direção do “Enviado”.
O que quer? perguntou Simão.
Sigam-me e eu os farei
Pescadores de homens então,

Os dois largaram suas redes
E, no mesmo instante,
Foram atrás de Jesus,
Seguindo-o daí em diante.

Essa atitude, no entanto,
Parece um tanto quanto anormal,
De modo que podemos concluir,
O que nos parece mais natural,

Que os dois pescadores
Já conhecessem o Mestre amado.
Pelo apóstolo João evangelista,
Esse fato foi confirmado,

Pois o mesmo disse
Que em outra situação
Os dois foram apresentados a Jesus
Pelo profeta do deserto, João.

Os três caminharam bastante
Até avistarem uma embarcação
E mais dois amigos dos pescadores:
Tiago e seu irmão João,

Ambos filhos de Zebedeu.
O Mestre Jesus, prontamente,
Convidou os dois, também,
Para seguirem conjuntamente,

E eles aceitaram de imediato.
Foram juntos caminhando
E pelo caminho afora
Jesus lhes fora ensinando

Sobre a palavra divina.
Mais tarde vamos encontrar
O fiel companheiro Simão
Tentando inutilmente pescar.

Depois de sentar-se no barco
E de ter feito uma pregação
Às pessoas reunidas ao redor,
O Mestre Jesus disse a Simão:

Vão para dentro do mar
E joguem suas redes de pescar.
Mas André tentou argumentar
Dizendo que não ia adiantar,

Pois o mar não estava para peixe,
Mas seu irmão Simão
Que Jesus apelidara de Pedro
Resolveu nessa ocasião

Fazer mais uma tentativa.
Talvez o Mestre saiba certamente
Onde os peixes desse local
Se escondem exatamente

Arriscou Simão esperançoso.
Logo se foram para o mar
E Simão e André lançaram suas redes
Esperando algo pescar.

Quase que instantaneamente
A água começou a borbulhar
Como se o mar estivesse fervendo.
O que é isso? disse André, tremendo.

Simão Pedro, no entanto,
Entendeu o que acontecia
Quase que imediatamente,
Na tarde daquele dia,

E começou a gritar
Histericamente para o seu irmão:
Puxe…! Vamos, puxe…!
E a mobilização não foi em vão.

Os dois irmãos pescadores,
Em grande movimentação,
Fizeram um esforço enorme
Levados pela determinação

De fazer subir à tona
Todas as redes de pescar,
Pois estavam tão pesadas
Dos peixes apanhados no mar

Que suas malhas quase se rompiam.
Nessa hora, começou a gritar Simão:
Tiago! João! Ajudem-nos!
Rapidamente a embarcação

Dos pescadores amigos
Deslocou-se na direção
Do barco onde se encontravam
O Mestre Jesus, André e Simão.

Ao término de tudo,
Os dois barcos se encontraram
Tão pesados de peixes
Que quase afundaram.

Simão Pedro, entretanto,
Não teve disto a percepção,
Pois estava naquela hora
Tomado de grande apreensão

Em relação ao “Enviado”.
Senhor, afasta-Te de mim,
Pois sou um pecador!
Manifestou-se falando assim…

Jesus pôs a sua mão
Sobre o ombro do pescador
E disse-lhe carinhosamente,
Envolvendo-o com Seu amor:

Não tenhas medo, Simão;
De agora em diante
Tu serás pescador de homens.
Então, naquele instante

Pedro e os demais compreenderam
Que tarefas mais abrangentes
Os aguardavam no futuro
E deixaram tudo, entrementes,

Para seguir o Mestre Jesus.
Além dos irmãos Tiago e João,
Simão Pedro e André,
Procuraram Jesus na ocasião

Filipe e Natanael ou Bartolomeu.
Segundo o apóstolo João
Único evangelista a se referir
Ao episódio em sua narração ,

Jesus encontrou Filipe
E usou da mesma proposição:
Siga-me disse Jesus,
E Felipe o seguiu de coração.

Após caminharem um pouco,
Filipe encontrou um amigo seu
Que se chamava Natanael,
Também conhecido como Bartolomeu,

Que se encontrava sentado
Debaixo de uma figueira frondosa;
E ao ver o amigo querido,
Fez uma expressão prazerosa.

Feliz com o encontro,
Filipe separou-se do “Enviado”
E correu ao encontro do amigo
Para fazer-lhe o comunicado:

Encontrei o profeta predito
Por Moisés disse radiante.
É mesmo? disse Natanael.
E naquele mesmo instante

Perguntou-lhe: E quem é ele?
Jesus de Nazaré disse o companheiro.
Nazaré?! falou Natanael
Um tanto quanto zombeteiro;

Pois, sendo estudioso da lei,
Sabia que o Messias prometido
Viria da cidade de Belém
Conforme havia apreendido.

Repetindo um bordão da época,
Natanael expressou irreverente:
E pode algo que preste
Vir de Nazaré realmente?

Filipe estava tão convicto
Que retrucou, com determinação:
Então venha e com seus próprios olhos
Faça a comprovação!

Filipe e seu amigo Natanael
Foram ao encontro do “Enviado”
Que se encontrava em campo aberto,
Um pouco mais afastado.

Você é Natanael disse Jesus,
Surpreendendo novamente.
Sou, de fato disse o outro
Muito admiradamente.

Mas de onde me conhece?
Respondeu Jesus ao “desconhecido”:
Antes que Filipe te chamasse,
Eu já tinha te conhecido

Debaixo daquela figueira.
Natanael ficou pasmado
Reconhecendo a clarividência
Do Mestre Jesus amado.

Prostrou-se, então, aos seus pés,
Proclamando-O ardorosamente
Como o Filho de Deus e Rei de Israel,
Reconhecendo quem estava a sua frente.

Crê somente porque eu disse
Que te vi debaixo da figueira?
Disse Jesus a Natanael
Acentuando as palavras sobremaneira

Pois saiba, Natanael,
Que você verá, futuramente,
Coisas muito maiores
Do que essas, certamente!

E acrescentou ainda,
Com o semblante pouco alterado:
Vocês verão o céu aberto
E os anjos do Pai adorado

Sobre o Filho do Homem
Subindo e descendo!
O chamamento de Mateus
Acabou acontecendo

Da seguinte maneira:
Estava Jesus retornando
De uma de suas andanças
Pelos arredores, quando,

Ao passar pela coletoria
De impostos da cidade,
Viu Mateus sentado lá dentro,
A exercer com responsabilidade

A seu ofício público
De fiscal de tributação
Ou de arrecadador de impostos,
Uma execrada profissão.

E como sempre fazia,
Jesus disse, quando o viu:
Siga-me e Mateus
Largou tudo e o seguiu.

Com esse modo lacônico
De fazer convocação,
Jesus deixa bem claro
Que não admite tergiversação:

“Quem não está comigo,
Está contra mim;
Quem não ajunta comigo, espalha”,
Disse o Mestre por fim.

Prova disso foram três convocações,
Não tão felizes, que o “Enviado”
Fizera em outros momentos.
Na primeira, Jesus foi assediado
Por determinado escriba
Que lhe disse na ocasião:
Mestre, até onde fores
Eu te seguirei, então.

Respondeu-lhe o Mestre Jesus,
Mostrando outros caminhos:
As raposas têm tocas
E as aves do céu, ninhos.

Mas o Filho do Homem
Não tem nenhum lugar
Onde possa a sua cabeça
Encostar para descansar

Jesus sabia que aquele
Membro dos Fariseus
Não teria força para seguir
Pelos caminhos de Deus.

Na segunda oportunidade
Jesus foi interrompido
Por um de seus discípulos
Cujo pai havia falecido

E que Lhe pediu permissão
Para, antes de segui-lo com ardor,
Poder, na condição de filho,
Ir enterrar o seu genitor.

Deixe que os mortos
Os seus mortos possam enterrar.
Quanto a tua pessoa,
Vai o Reino de Deus anunciar

Respondeu-lhe dessa forma
O Messias, indiferente
Às pieguices terrenas
Que prendem o homem, tenazmente.

Finalmente, na terceira vez,
Alguém foi Lhe procurar:
Eu te seguirei, Senhor,
Mas permita que antes eu vá

Despedir-me dos meus familiares.
Porém Jesus voltou a replicar:
Quem põe a mão no arado
E volta para trás o olhar

Não é digno do Reino de Deus.
Voltando nesse momento
Ao coletor de nome Mateus,
Citaremos um acontecimento:

Logo após o seu chamamento,
Ele ofereceu ao “Enviado”
Um banquete em sua casa
E chamou alguns convidados.

O fato de ser mal visto
Por ser do grupo dos coletores,
E de ter enchido a sua casa
De publicanos e pecadores,

Fez do banquete oferecido
Um “prato muito apreciado”
Para o falatório dos fariseus
Que estavam nos passos do “Enviado”

Para poder desacreditá-lo.
Vejam só, quem se diz o “Enviado”,
Banqueteando-se com pecadores
De toda laia disseram indignados.

Jesus retrucou-lhes, entrementes:
Não são os sadios
Que precisam de médicos,
Mas sim os doentes

Disse Ele, acrescentando,
Que não viera chamar os justos
E sim os pecadores
Vão aprender, dentre outros valores,

O significado de: “misericórdia
É o que quero, e não sacrifícios”,
Disse Jesus ao despachar de vez
Os seus importunos patrícios

Com a velha citação de Amós.
Um dia, Jesus chegou à decisão
Que ficaria com doze apóstolos
Conforme os nomes dessa relação:

Temos o apóstolo Simão,
Também chamado de Pedro
Ou pedra pelo Mestre Jesus,
E o apóstolo André, seu irmão;

Tiago “maior”, filho de Zebedeu,
E o apóstolo João, um irmão seu;
O apóstolo Tomé e o publicano Mateus;
Filipe e Natanael ou Bartolomeu;

Tiago “menor”, filho de Alfeu,
E Lebeu, apelidado de Tadeu;
O apóstolo Simão, o zelote,
E o apóstolo Judas Iscariotes.

Pedro tornou-se famoso
Por ele ter fundado
A Igreja de Jesus Cristo,
O nosso Mestre amado.

O apóstolo Mateus ou Levi
Junto com o apostolo João
Tornaram-se célebres evangelistas,
Deixando grande contribuição.

Já Tadeu, ou Judas Tadeu,
Tornou-se muito popular
Como o santo dos aflitos
Para os católicos de todo lugar.

Tomé veio a se celebrizar
Como aquele que, primeiro,
Precisou ver para depois crer,
Conhecido no mundo inteiro.

O apóstolo Filipe protagonizou,
Em determinada situação,
Junto com o Mestre Jesus,
O famoso milagre da multiplicação,

O Qual pegou cinco pães
E dois peixes, numa ocasião,
E os multiplicou em milhares,
Alimentando uma enorme multidão.

O apóstolo Bartolomeu ou Natanael
Celebrizou-se pela frase irreverente:
“Pode algo que preste
Vir de Nazaré realmente?”

Simão, dito também o zelote,
Conhecido por ser partidarista
De uma seita judaica
Por demais extremista.

O mesmo foi martirizado
Com requintes de crueldade,
Segundo a história cristã,
Aos 120 anos de idade.

A André coube a honra,
Segundo o apostolo João,
De ter sido o primeiro
A receber a indicação

Do amado Mestre Jesus
Para compor o Seu apostolado.
Daí o apelido de Protóclito
Que em grego foi lhe dado.

Sobre o apóstolo Tiago maior
Que era irmão do apóstolo João,
Os registros históricos afirmam
Que ele sofreu a decapitação.

Em relação a Judas Iscariotes
Dele pouco se conheceu,
Passando a ser lembrado, somente,
Pela traição que cometeu.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Síntese Biográfica de Jesus em Versos


Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

Capítulo 17 – O Esperado Regresso

Capítulo 18 – A Infância de Jesus

Capítulo 19 – Jesus aos 12 Anos

Capítulo 2o – A vida Pública de Jesus

Capítulo 21 – A Tentação de Jesus

Capítulo 22 – Os doze Apóstoles