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biografia

OS DOZE APÓSTOLOS

OS DOZE APÓSTOLOS

Certo dia, o Mestre Jesus,
Ainda no começo de sua pregação,
Andava as margens do mar da Galiléia
E refletia, decerto, nessa ocasião,

Sobre a Sua missão na Terra.
Quando parou, subitamente,
Ao avistar dois pescadores
Que trabalhavam afanosamente,

Lançando uma rede ao mar.
O resultado, contudo,
Parecia pouco animador.
Os pescadores faziam de tudo,

Mas infelizmente não conseguiam
Retirar peixe algum na ocasião.
Então, Jesus, nesse instante,
Tomado de súbita determinação,

Resolveu ir até onde estavam.
Ei, vocês! – Disse Ele firmemente
Aproximando-se dos pescadores
Que o fixaram atentamente.

Eles se chamavam Simão e André
E ao serem por Jesus chamados,
Deixaram o que estavam fazendo
E levantaram seus olhos cansados

Em direção do “Enviado”.
O que quer? perguntou Simão.
Sigam-me e eu os farei
Pescadores de homens então,

Os dois largaram suas redes
E, no mesmo instante,
Foram atrás de Jesus,
Seguindo-o daí em diante.

Essa atitude, no entanto,
Parece um tanto quanto anormal,
De modo que podemos concluir,
O que nos parece mais natural,

Que os dois pescadores
Já conhecessem o Mestre amado.
Pelo apóstolo João evangelista,
Esse fato foi confirmado,

Pois o mesmo disse
Que em outra situação
Os dois foram apresentados a Jesus
Pelo profeta do deserto, João.

Os três caminharam bastante
Até avistarem uma embarcação
E mais dois amigos dos pescadores:
Tiago e seu irmão João,

Ambos filhos de Zebedeu.
O Mestre Jesus, prontamente,
Convidou os dois, também,
Para seguirem conjuntamente,

E eles aceitaram de imediato.
Foram juntos caminhando
E pelo caminho afora
Jesus lhes fora ensinando

Sobre a palavra divina.
Mais tarde vamos encontrar
O fiel companheiro Simão
Tentando inutilmente pescar.

Depois de sentar-se no barco
E de ter feito uma pregação
Às pessoas reunidas ao redor,
O Mestre Jesus disse a Simão:

Vão para dentro do mar
E joguem suas redes de pescar.
Mas André tentou argumentar
Dizendo que não ia adiantar,

Pois o mar não estava para peixe,
Mas seu irmão Simão
Que Jesus apelidara de Pedro
Resolveu nessa ocasião

Fazer mais uma tentativa.
Talvez o Mestre saiba certamente
Onde os peixes desse local
Se escondem exatamente

Arriscou Simão esperançoso.
Logo se foram para o mar
E Simão e André lançaram suas redes
Esperando algo pescar.

Quase que instantaneamente
A água começou a borbulhar
Como se o mar estivesse fervendo.
O que é isso? disse André, tremendo.

Simão Pedro, no entanto,
Entendeu o que acontecia
Quase que imediatamente,
Na tarde daquele dia,

E começou a gritar
Histericamente para o seu irmão:
Puxe…! Vamos, puxe…!
E a mobilização não foi em vão.

Os dois irmãos pescadores,
Em grande movimentação,
Fizeram um esforço enorme
Levados pela determinação

De fazer subir à tona
Todas as redes de pescar,
Pois estavam tão pesadas
Dos peixes apanhados no mar

Que suas malhas quase se rompiam.
Nessa hora, começou a gritar Simão:
Tiago! João! Ajudem-nos!
Rapidamente a embarcação

Dos pescadores amigos
Deslocou-se na direção
Do barco onde se encontravam
O Mestre Jesus, André e Simão.

Ao término de tudo,
Os dois barcos se encontraram
Tão pesados de peixes
Que quase afundaram.

Simão Pedro, entretanto,
Não teve disto a percepção,
Pois estava naquela hora
Tomado de grande apreensão

Em relação ao “Enviado”.
Senhor, afasta-Te de mim,
Pois sou um pecador!
Manifestou-se falando assim…

Jesus pôs a sua mão
Sobre o ombro do pescador
E disse-lhe carinhosamente,
Envolvendo-o com Seu amor:

Não tenhas medo, Simão;
De agora em diante
Tu serás pescador de homens.
Então, naquele instante

Pedro e os demais compreenderam
Que tarefas mais abrangentes
Os aguardavam no futuro
E deixaram tudo, entrementes,

Para seguir o Mestre Jesus.
Além dos irmãos Tiago e João,
Simão Pedro e André,
Procuraram Jesus na ocasião

Filipe e Natanael ou Bartolomeu.
Segundo o apóstolo João
Único evangelista a se referir
Ao episódio em sua narração ,

Jesus encontrou Filipe
E usou da mesma proposição:
Siga-me disse Jesus,
E Felipe o seguiu de coração.

Após caminharem um pouco,
Filipe encontrou um amigo seu
Que se chamava Natanael,
Também conhecido como Bartolomeu,

Que se encontrava sentado
Debaixo de uma figueira frondosa;
E ao ver o amigo querido,
Fez uma expressão prazerosa.

Feliz com o encontro,
Filipe separou-se do “Enviado”
E correu ao encontro do amigo
Para fazer-lhe o comunicado:

Encontrei o profeta predito
Por Moisés disse radiante.
É mesmo? disse Natanael.
E naquele mesmo instante

Perguntou-lhe: E quem é ele?
Jesus de Nazaré disse o companheiro.
Nazaré?! falou Natanael
Um tanto quanto zombeteiro;

Pois, sendo estudioso da lei,
Sabia que o Messias prometido
Viria da cidade de Belém
Conforme havia apreendido.

Repetindo um bordão da época,
Natanael expressou irreverente:
E pode algo que preste
Vir de Nazaré realmente?

Filipe estava tão convicto
Que retrucou, com determinação:
Então venha e com seus próprios olhos
Faça a comprovação!

Filipe e seu amigo Natanael
Foram ao encontro do “Enviado”
Que se encontrava em campo aberto,
Um pouco mais afastado.

Você é Natanael disse Jesus,
Surpreendendo novamente.
Sou, de fato disse o outro
Muito admiradamente.

Mas de onde me conhece?
Respondeu Jesus ao “desconhecido”:
Antes que Filipe te chamasse,
Eu já tinha te conhecido

Debaixo daquela figueira.
Natanael ficou pasmado
Reconhecendo a clarividência
Do Mestre Jesus amado.

Prostrou-se, então, aos seus pés,
Proclamando-O ardorosamente
Como o Filho de Deus e Rei de Israel,
Reconhecendo quem estava a sua frente.

Crê somente porque eu disse
Que te vi debaixo da figueira?
Disse Jesus a Natanael
Acentuando as palavras sobremaneira

Pois saiba, Natanael,
Que você verá, futuramente,
Coisas muito maiores
Do que essas, certamente!

E acrescentou ainda,
Com o semblante pouco alterado:
Vocês verão o céu aberto
E os anjos do Pai adorado

Sobre o Filho do Homem
Subindo e descendo!
O chamamento de Mateus
Acabou acontecendo

Da seguinte maneira:
Estava Jesus retornando
De uma de suas andanças
Pelos arredores, quando,

Ao passar pela coletoria
De impostos da cidade,
Viu Mateus sentado lá dentro,
A exercer com responsabilidade

A seu ofício público
De fiscal de tributação
Ou de arrecadador de impostos,
Uma execrada profissão.

E como sempre fazia,
Jesus disse, quando o viu:
Siga-me e Mateus
Largou tudo e o seguiu.

Com esse modo lacônico
De fazer convocação,
Jesus deixa bem claro
Que não admite tergiversação:

“Quem não está comigo,
Está contra mim;
Quem não ajunta comigo, espalha”,
Disse o Mestre por fim.

Prova disso foram três convocações,
Não tão felizes, que o “Enviado”
Fizera em outros momentos.
Na primeira, Jesus foi assediado
Por determinado escriba
Que lhe disse na ocasião:
Mestre, até onde fores
Eu te seguirei, então.

Respondeu-lhe o Mestre Jesus,
Mostrando outros caminhos:
As raposas têm tocas
E as aves do céu, ninhos.

Mas o Filho do Homem
Não tem nenhum lugar
Onde possa a sua cabeça
Encostar para descansar

Jesus sabia que aquele
Membro dos Fariseus
Não teria força para seguir
Pelos caminhos de Deus.

Na segunda oportunidade
Jesus foi interrompido
Por um de seus discípulos
Cujo pai havia falecido

E que Lhe pediu permissão
Para, antes de segui-lo com ardor,
Poder, na condição de filho,
Ir enterrar o seu genitor.

Deixe que os mortos
Os seus mortos possam enterrar.
Quanto a tua pessoa,
Vai o Reino de Deus anunciar

Respondeu-lhe dessa forma
O Messias, indiferente
Às pieguices terrenas
Que prendem o homem, tenazmente.

Finalmente, na terceira vez,
Alguém foi Lhe procurar:
Eu te seguirei, Senhor,
Mas permita que antes eu vá

Despedir-me dos meus familiares.
Porém Jesus voltou a replicar:
Quem põe a mão no arado
E volta para trás o olhar

Não é digno do Reino de Deus.
Voltando nesse momento
Ao coletor de nome Mateus,
Citaremos um acontecimento:

Logo após o seu chamamento,
Ele ofereceu ao “Enviado”
Um banquete em sua casa
E chamou alguns convidados.

O fato de ser mal visto
Por ser do grupo dos coletores,
E de ter enchido a sua casa
De publicanos e pecadores,

Fez do banquete oferecido
Um “prato muito apreciado”
Para o falatório dos fariseus
Que estavam nos passos do “Enviado”

Para poder desacreditá-lo.
Vejam só, quem se diz o “Enviado”,
Banqueteando-se com pecadores
De toda laia disseram indignados.

Jesus retrucou-lhes, entrementes:
Não são os sadios
Que precisam de médicos,
Mas sim os doentes

Disse Ele, acrescentando,
Que não viera chamar os justos
E sim os pecadores
Vão aprender, dentre outros valores,

O significado de: “misericórdia
É o que quero, e não sacrifícios”,
Disse Jesus ao despachar de vez
Os seus importunos patrícios

Com a velha citação de Amós.
Um dia, Jesus chegou à decisão
Que ficaria com doze apóstolos
Conforme os nomes dessa relação:

Temos o apóstolo Simão,
Também chamado de Pedro
Ou pedra pelo Mestre Jesus,
E o apóstolo André, seu irmão;

Tiago “maior”, filho de Zebedeu,
E o apóstolo João, um irmão seu;
O apóstolo Tomé e o publicano Mateus;
Filipe e Natanael ou Bartolomeu;

Tiago “menor”, filho de Alfeu,
E Lebeu, apelidado de Tadeu;
O apóstolo Simão, o zelote,
E o apóstolo Judas Iscariotes.

Pedro tornou-se famoso
Por ele ter fundado
A Igreja de Jesus Cristo,
O nosso Mestre amado.

O apóstolo Mateus ou Levi
Junto com o apostolo João
Tornaram-se célebres evangelistas,
Deixando grande contribuição.

Já Tadeu, ou Judas Tadeu,
Tornou-se muito popular
Como o santo dos aflitos
Para os católicos de todo lugar.

Tomé veio a se celebrizar
Como aquele que, primeiro,
Precisou ver para depois crer,
Conhecido no mundo inteiro.

O apóstolo Filipe protagonizou,
Em determinada situação,
Junto com o Mestre Jesus,
O famoso milagre da multiplicação,

O Qual pegou cinco pães
E dois peixes, numa ocasião,
E os multiplicou em milhares,
Alimentando uma enorme multidão.

O apóstolo Bartolomeu ou Natanael
Celebrizou-se pela frase irreverente:
“Pode algo que preste
Vir de Nazaré realmente?”

Simão, dito também o zelote,
Conhecido por ser partidarista
De uma seita judaica
Por demais extremista.

O mesmo foi martirizado
Com requintes de crueldade,
Segundo a história cristã,
Aos 120 anos de idade.

A André coube a honra,
Segundo o apostolo João,
De ter sido o primeiro
A receber a indicação

Do amado Mestre Jesus
Para compor o Seu apostolado.
Daí o apelido de Protóclito
Que em grego foi lhe dado.

Sobre o apóstolo Tiago maior
Que era irmão do apóstolo João,
Os registros históricos afirmam
Que ele sofreu a decapitação.

Em relação a Judas Iscariotes
Dele pouco se conheceu,
Passando a ser lembrado, somente,
Pela traição que cometeu.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Síntese Biográfica de Jesus em Versos


Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

Capítulo 17 – O Esperado Regresso

Capítulo 18 – A Infância de Jesus

Capítulo 19 – Jesus aos 12 Anos

Capítulo 2o – A vida Pública de Jesus

Capítulo 21 – A Tentação de Jesus

Capítulo 22 – Os doze Apóstoles

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jesus aos 12 anos

JESUS AOS 12 ANOS

Do livro “Myriam” de Huberto Rohden¹,
Do capítulo “Lampejos do Além”,
Versificamos a narrativa do cego Eliud
Sobre Jesus no templo de Jerusalém:

“Nesse inesquecível dia,
Myriam recebeu em seu lar
O velho Eliud e a sua netinha
Que vieram para almoçar.

Lucas também foi convidado
Para a frugal refeição
Em casa da mãe de Jesus,
Nessa referida ocasião.

O cego contava na época
Quase setenta anos de idade;
Se o Nazareno ainda vivesse,
Nesse ano 59, teria na realidade

Onze anos a menos
Do que o velho “fellah” da Judéia.
Depois do leve repasto
Eliud teve a feliz idéia

De contar para os presentes,
Entre outras histórias, também
O encontro que teve com Jesus
No templo de Jerusalém.

A cegueira do último decênio,
Naquela situação presente,
Parecia haver lhe chamado,
Das penumbras do subconsciente

Para a luz meridiana do consciente,
Ocorrências há muito distantes,
Reminiscências da sua mocidade.
E bastante nítidas e constantes,

Surgiram a sua mente
Os acontecimentos vividos
Que aos olhos do espírito
São como se ontem houvessem ocorridos.

Lembra-te, Myriam
Começou o cego ancião,
Voltando suas órbitas extintas
Exatamente na direção

Daquela distinta senhora
E erguendo bastante o rosto,
Como que à procura de luz,
Continuou com muito gosto:

Lembra-te, querida amiga,
Daquela páscoa em Jerusalém,
Quando Jesus ficou no templo
Sem que tu e José ou mais alguém

Soubésseis onde Ele estava?
Se me lembro, querido amigo…
Foram dias de indizível angústia…
Que carrego ainda comigo…

Tinha o teu Jesus uns 12 anos.
Eu estava com 23 de idade.
Rabi Gamaliel, neto do grande Hillel²,
Instruíra-me, com propriedade,

No conhecimento da lei de Moisés.
Eu era um assíduo frequentador
Do venerável templo de Iavé,
E com o sentimento de muito fervor,

Passava longas horas
Aos pés do mestre Gamaliel,
Acompanhado nessa atitude
De alguns companheiros meus,

Porque dos lábios do mestre
Fluíam torrentes de sabedoria,
Certamente de origem divina,
Que a todos profundamente envolvia.

Um dia, após as solenidades pascais,
Gamaliel e outros rabis se encontravam
Reunidos numa sala do templo,
E naquele instante reflexionavam

Sobre a Lei e os profetas.
Eu e alguns adeptos valorosos
Tínhamos a permissão para assistir
A esses senados religiosos.

De súbito, entrou no recinto
Um menino de rara beleza
E pediu licença a Gamaliel,
Causando a todos muita estranheza,

Para ouvir as dissertações
Dos mestres ali presentes.
Alguns rabis se opuseram
De maneira muito veemente

A essa pretensão descabida
Porque era contra a praxe admitir
Que crianças, de qualquer idade,
Pudessem ficar por ali

E assistir as pregações dos rabis.
Não fosse a sábia intervenção
Do querido mestre Gamaliel,
É certo que naquela situação

O menino Jesus teria
Que abandonar a sala de reunião.
Gamaliel não era só sabedoria,
Mas também tinha muita intuição.

Permitiu ao pequeno intruso
Permanecer naquele lugar
E até indicou um assento
Perto do seu para ele sentar.

Depois deste ligeiro incidente,
Prosseguiu, animada, a discussão.
Explicavam os nossos doutores
Aos que estavam naquela reunião

O livro do profeta Isaías,
Honra e glória de nossa nação.
Não concordavam as suas opiniões
Sobre um ponto em questão:

O sentido do “ebed Yahveh”³,
De que falava o grande vidente.
Diziam uns que era Israel,
Alvitravam outros, frontalmente,

De que fosse o Messias vindouro.
Ninguém parecia ter lembrança
Que naquele seleto ambiente
Se encontrava uma criança

Que seguia com vivo interesse
O percurso da dissertação.
Eu nunca vira esse menino,
E nada sabia, até então,
Sobre ele e sua família.
Mas havia em seu semblante
Algo de luminoso, de divino,
A irradiar-se de maneira constante.

Estive por longo tempo
Com os olhos fixos nesse varão
E esqueci-me por completo
Do assunto versado no salão.

A certa altura, quando a discussão
Atingira o máximo de calor,
Na qual cada um expressava
O seu próprio juízo de valor,

Entre eles acabaram se formando
Dois partidos que se digladiavam
Em verdadeiro duelo intelectual
Sobre os aspectos de que discordavam

Relativos ao controvertido texto
Do grande profeta hebreu.
Levantou-se o menino desconhecido,
E perante todos aconteceu

Que com respeito e simplicidade
Pediu permissão ao grande rabi
Para dizer algumas palavras
Às pessoas que estavam ali.

Fez-se repentino silêncio,
Todos os olhos nele se fixaram,
O menino avançou resoluto
Com passos firmes que o levaram

Para o meio daquele recinto,
Espalmou sua delicada mão
Sobre o sagrado volume
E começou a discorrer, então…

Ó Myriam! Ó Lucas! Que momento divino…
Eliud, tomado pela emoção,
Deixa que de suas órbitas extintas
Brotem as lágrimas do coração.

Comunicou-se a todos os presentes
A grande comoção do narrador.
Pois não é a palavra expressada
Que comove a alma é o amor,
Amor que é a própria alma,
E a alma de Eliud, entrementes,
Era um mundo sacudido
Por terremotos veementes…

De alma para alma
É que esse fluido invisível
Transmite-se e empolga,
E pode tornar possível

Fenômeno de arrebatamento,
Lançando a outras realidades
O espírito em total envolvimento,
Desde a mais profunda das profundidades

Até a mais excelsa das excelsitudes.
A palavra é, propriamente,
Apenas um frágil veículo
Dessa força que unicamente

Da alma humana é emanada
E que muitas vezes, certamente,
Fala mais pelo silêncio
Do que pela voz tão-somente.

Por um longo momento
Envoltos em doce vibração,
Todos ficaram em silencio,
Enleados de tanta emoção.

Por fim, prosseguiu Eliud:
Quando naquele inesquecível dia
Aquele menino abriu os lábios,
Era como se o sol do meio-dia

Despontasse em plena meia-noite.
Não me lembro neste instante
De nenhuma das gloriosas palavras
Que ele disse perante os circunstantes.

Sei apenas que, ante aos olhos
De nossos espíritos imortais,
Havia uma imensa epopéia
De luzes e de fulgores, tais quais,

A um faiscar de centelhas
E lampejos de outra dimensão…
Vi descortinarem-se diante de mim,
Em diáfana e constante profusão,
Horizontes de infinita amplitude…
E este mundo que habitamos
Fugia como sombra longínqua,
Diferente de tudo o que imaginamos,

De forma vaga… quase irreal…
Via o universo das coisas espirituais
Como a única realidade, a grande,
A realíssima realidade… ademais,

O que aquele menino disse
Sobre as visões do profeta Isaias
Era o próprio reino de Deus,
De que ele mais tarde falaria,

Reino que está no mundo,
Mas que deste mundo parte não faz…
Reino da verdade e da vida…
Morada da justiça e da paz…

Reino do amor e da graça…
Residência da luz eternal…
Reino da beatitude infinita…
Domicilio do Pai Celestial…

Quando os rabis do templo
Se sentiram envolvidos totalmente
Nessa atmosfera divina,
Terminaram, quase que imediatamente,

Todas aquelas discussões,
Assim como caem os nevoeiros
Ante a incursão carinhosa do sol
Com seus raios amigueiros

A cada manhã de um novo dia.
Aproveitando a oportunidade,
Aqueles homens religiosos,
Com respeito e sensibilidade,

Dirigiram à iluminada criança
As melhores e mais sensatas questões
Que nunca haviam feito a ninguém
Em nenhuma de suas reuniões.

Abandonaram a letra mortífera
E abraçaram o espírito vivificante.
E a criança, com encanto e maestria,
Respondia a todos naquele instante,
Eclipsando toda a sabedoria
De todos os mestres de Israel,
Inclusive dos considerados maiores
Gamaliel, Chammai e Hillel.

E dizia todas aquelas coisas
Com tamanha graça e beleza
E espontânea naturalidade,
Que parecia, com certeza,

A realidade mais evidente
Na Terra e no Plano Espiritual.
Nem parecia reflexionar.
As palavras brotavam, de forma tal,

De seus lábios encarnados
Como a água pura que emana
Das profundezas da mãe terra
Para matar a sede humana.

Desse dia em diante
Disse Eliud com a voz terna,
E dando as suas palavras
Uma inflexão solene e interna

Deixou esse pequeno orbe
De existir para mim.
Era como se esse planeta
Tivesse chegado ao fim.

E quem viu o paraíso que eu vi
Por meio das palavras da criança,
Passa a viver para esse mundo
Com mais dedicação e confiança,

E só tolera essa vida presente
Como uma jornada que se faz
Para esse universo de luz e vida
De fraternidade, de amor e de paz…

Lembro-me, também, Miryam
Quando tu e teu esposo amado
Assomaram a entrada do templo
E chamaram pelo filho adorado

Porque havia três dias
Que andáveis à sua procura,
Cheios de receio e aflição.
Filho lhe disseste naquela altura ,
Por que fizeste isto?
Eis que teu pai e eu, preocupados,
Te procurávamos aflitos
Por todos os lados…

E ele, sereno e calmo,
Como sempre respondeu:
Por que me procuráveis?
Então não sabíeis que eu

Devia estar nas coisas de meu Pai?…
Eu disse Myriam naquela situação
Não atinei com o sentido profundo
Destas palavras ditas na ocasião

Pelo meu querido filho Jesus.
E também, quem as poderia entender?
Exclamou o respeitável Eliud
Como poder compreender

Que um menino de 12 anos
Deva ser mais da humanidade
Do que de sua família?
Mais redentor que filho de verdade?

Ser menos dos seus pais terrenos
E mais do Pai celestial?
Mais vítima de expiação
Que objeto de carinho maternal?…

Aqueles três dias suspirou Myriam
Foram dias de angústia inenarrável.
Sabíamos que o nosso Jesus
Era filho obediente e afável,

Mas ignorávamos por que razões
No-lo teria Deus tirado.
Não éramos dignos dele?…
Do dileto Messias enviado?…

Não lhe compreendíamos
A sua grande missão?…
E não estaria a sua vida em perigo
E sofrendo perseguição?

Não teria o sucessor de Herodes
Naquele instante, infelizmente,
Descoberto a nossa fuga para o Egito
E identificado o suposto pretendente
Ao rico trono da Judéia?…
Eu disse o cego ancião,
Sem atentar a essas perguntas
Feitas por Myriam na ocasião,

Quase que te quis mal
A partir daquele dia.
Filho assim não era certamente
Para uma única família,

Era para o mundo todo.
Só ele podia, com toda razão,
Libertar o nosso povo
Da vergonhosa escravidão.

Só ele podia restabelecer,
Com seu poder de atuação,
O esplendor do reino de Israel,
De nosso pai Davi, do grande Salomão…

Assim pensava eu nesse tempo.
E tu o levaste contigo…
E ele desapareceu dos meus olhos…
E até hoje trago comigo

Essas lembranças imperecíveis…
E só mais tarde pude compreender
A missão que o Divino Messias
Viera aqui na terra desenvolver.

Viera romper as algemas do pecado,
Libertando-nos de toda escravidão
Dos sentimentos inferiores
Que levam o homem à perdição.

Acabei tendo a certeza
De que o Seu reino de amor
Não era deste mundo…
E que o reino de nosso Senhor

Estava dentro de nós mesmos…
Após a narrativa emocionada,
Eliud partiu com sua netinha
Despedindo-se da mãe amada

Do meigo nazareno Jesus.
Pairava no ar tanta paz e harmonia;
Era como se a Terra, naquele dia,
Estivesse envolta em plena luz.


Síntese Biográfica de Jesus em Versos

Autor:Arnaldo de Araújo rocha

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

Capítulo 17 – O Esperado Regresso

Capítulo 18 – A Infância de Jesus

Capítulo 19 – Jesus aos 12 Anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Infância de Jesus

INFÂNCIA DE JESUS

Pouco sabem os historiadores
Sobre a infância do “Enviado”.
No Evangelho segundo Lucas,
Um acontecimento foi registrado,

Consoante o qual, o menino Jesus
Viajou com seus pais de Belém
Para participar das festividades
Da Páscoa judaica em Jerusalém¹.

E lá, esse menino prodígio,
Com seus 12 anos de idade,
Surpreendeu os doutores do Templo
Falando sobre a divina verdade.

A única informação a mais
Pela história registrada
Está no evangelho de Lucas²
Dessa forma consignada:

“Crescia o Menino e se fortalecia,
Enchendo-se de Sabedoria;
E a graça de Deus estava sobre Ele”.
Provavelmente, o filho de Maria

Cresceu na cidade Nazaré,
Auxiliando José na carpintaria
Até este falecer; esperando o dia
Que a Sua divina missão começaria.

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Síntese Biográfica de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

Capítulo 17 – O Esperado Regresso

Capítulo 18 – A Infância de Jesus

Capítulo 19 – Jesus aos 12 Anos

Capítulo 2o – A vida Pública de Jesus

 

O Esperado Regresso

O ESPERADO REGRESSO

Não se sabe, exatamente,
O período de duração
Do exílio de Jesus Cristo
Naquela abençoada nação.

A visita dos reis magos
Que vieram do Oriente,
E a fuga do trio para o Egito
Ocorreram, provavelmente,

No segundo ano de vida
Do meigo menino Jesus.
Certa noite, reapareceu a José,
Envolto em muita luz,

O conhecido anjo do Senhor
E ordenou-lhe, no momento,
Que voltasse à sua terra,
Porque tinha se dado o falecimento

Do governador Herodes, o grande.
Não tardaram os três
A fazer-se de partida.
O menino Jesus, por sua vez,

Tinha entre 4 e 5 anos,
Ia ao lado do pai pelo caminho
Enquanto sua querida mãe
Seguia-os montada no jumentinho.

Foi difícil e muito penosa
A jornada ao longo do litoral,
Rumo a Gaza, Azoto e Ascalon,
Teatro das proezas de Sansão, o colossal.

Depois de vários dias
Cruzaram as várzeas de Saron.
Daí dobraram para o leste,
E atravessaram o vale de Esdrelon,

Até avistarem, ao longe,
As montanhas da Judéia amada.
Ao pernoitarem numa estalagem,
José ouviu de um camarada

Que, em vez do sanguinário Herodes,
Reinava na Judéia, naquele instante,
O seu filho de nome Arquelau,
Homem muito cruel e inconstante,

Tal qual fora seu pai.
Pensando nessa situação,
José achou mais prudente
Seguirem em outra direção;

Em vez da cidade de Belém,
Prosseguiram para Samaria;
E de lá para a doce Galiléia
Em cujo coração florescia

A aldeia serrana de Nazaré.
Nessa povoação encantadora,
A mãe do menino Jesus
Era, certamente, possuidora

De uma singela casinha,
Herança de seus genitores.
E, assim, Maria, Jesus e José
Passaram a residir em Nazaré.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Síntese Biográfica de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 – O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

Capítulo 13 – O Cântico de Simeão

Capítulo 14- Os Magos do Oriente

Capítulo 15 – Elucidações Importantes

Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

Capítulo 17 – O Esperado Regresso

Capítulo 18 – A Infância de Jesus

Capítulo 19 – Jesus aos 12 Anos

Capítulo 2o – A vida Pública de Jesus

 

A Fuga para o Egito

A FUGA PARA O EGITO

Desde a partida dos reis magos,
José estava sendo assaltado
Por maus pressentimentos
Em relação ao seu filho amado.

Até que numa noite
Foi visitado novamente
Por aquele anjo luminoso
Que lhe aparecera anteriormente

Ao nascimento de Jesus.
E lhe deu a confirmação
Daquilo que seria para José
A mais negra apreensão.

Foge, José! dissera o anjo
Com muita seriedade 
Toma o teu filho e foge com Maria
Para o Egito com celeridade,

Pois Herodes deseja matá-lo.
Tão logo José despertou
Daquele terrível sonho,
A sua esposa acordou

E disse a ela naquele instante:
Levante, minha esposa querida,
E enrole Jesus em dois mantos,
Pois que estamos de partida 

Falou José sem dar mais explicações.
Maria ficou olhando o marido,
Certa de que alguma coisa
A José havia acontecido.

Ela conhecia muito bem
Aquele estado alterado
Que envolvia a seu esposo
Naquele instante aprazado,

Pois ela mesma, também,
Já passara pela experimentação.
Certamente, José recebera
Uma divina comunicação.

Sem qualquer pergunta
Maria seguiu a orientação
De seu esposo querido
E preparou o pequeno varão

Para partirem em família
Rumo a outra localidade.
Depois que os três partiram,
José sentiu a necessidade

De contar para sua esposa Maria
O que ocorrera na realidade.
Seguiram juntos para o Egito
Deixando a pequena cidade

Onde nascera o menino Jesus.
Após vários dias, os três,
Depois de exaustiva caminhada,
Atravessaram o istmo de Suez,

Penetrando no Baixo Egito.
Estabeleceu-se o trio, provavelmente,
Nas proximidades de Heliópolis
Onde existia, felizmente,

Um lindo templo judaico.
A permanência deles na região
Foi marcada pelo desterro,
E sofreram muita privação.

Alugaram uma modesta vivenda
Nos arrabaldes da cidade;
E José, carpinteiro de profissão,
Trabalhava com tenacidade

Para prover a sua família
Do que fosse necessário;
E viverem com dignidade,
Percebendo pequeno salário.

As mãos hábeis de Maria
Cercaram a pequena habitação
De uma horta e um jardinzinho.
Além dessa ocupação,

Maria preparava as refeições,
Como também tecia e fazia
Os vestuários que todos eles
Utilizavam no dia-a-dia.

O Egito não deixava de ser
Para todo israelita, certamente,
Uma terra considerada santa,
Já que, tradicionalmente,

As veneráveis tradições
Do povo eleito de Israel
Radicavam-se nesse solo,
Desempenhado o seu papel,

Intimamente irmanadas
Com o país e a saga dos faraós.
No Egito tinham vivido
Moisés e da mesma forma Jacó.

Apesar dessas características,
Foi uma vida de dificuldade
Imposta àquela família
Que suportou com fé e coragem.

Mas, voltando um pouco no tempo,
Citaremos do apóstolo Mateus²
Uma das passagens mais tristes
Que naquela época aconteceu:

Vendo-se iludido pelos magos,
Herodes, com extrema crueldade,
Mandou matar todos os meninos
De Belém e dos arredores da cidade,

De dois anos para baixo,
Conforme a precisa informação
Que tivera dos três reis magos
Naquela fatídica reunião.

Então se cumpriu o que foi dito
Conforme escrito nas profecias,
Esse acontecimento hediondo
Predito pelo profeta Jeremias³:

“Ouviu-se um clamor em Ramá,
Pranto, choro e grande lamento;
Era Raquel, inconsolável, chorando demais
Por seus filhos que já não existiam mais”.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

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Capítulo 16 – A Fuga para o Egito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Nascimento de Jesus

O NASCIMENTO DE JESUS

Para o leste de Belém,
Viam-se à meia légua de distância
As campinas de Beth-Sahur,
Em verdejante fulgor e exuberância.

Serena e bela corria a noite.
Das alturas da abóbada celestial,
Cintilavam incontáveis estrelas
Iluminando de maneira natural

Os palácios dos homens ricos
E os tugúrios dos menos favorecidos.
Lá fora, nas extensas planuras
Dos históricos e conhecidos

Campos de Beth-Sahur,
Viam-se grupos no pastoreiro
Sentados à frente de suas barracas,
Reunidos ao redor do braseiro,

Ao passo que outros, mais além,
Tomavam conta dos animais.
Era meia-noite passada.
A intensidade dos raios colossais

Do mantenedor da vida física,
Irradiado por meio da lua cheia,
Difundia por toda a atmosfera
Luzes argênteas a mancheias,

Envolvendo em mistérios
A vastidão do espaço noturno.
Os singelos e pacatos pastores
Durante a noite, por seu turno,

Passavam a contar histórias
De outras eras e de outros locais,
Quando não faziam comentários
Sobre as dificuldades existenciais

Dos impostos pagos a Roma,
Do decreto imperial recente
Referente ao recenseamento
Imposto a toda aquela gente;

Enquanto outros grupos falavam
Das esperanças de Israel,
Ansiando pela chegada do Messias,
Um emissário que viria do céu
Para libertar o povo sofrido
Dessa cruel escravidão.
De súbito, um guarda-noturno,
Solta um grito de exclamação

Entre surpreso e amedrontado.
Sobre uma das colinas de Belém,
Paira uma como neblina luminosa
Que, lentamente, aos poucos vem

Em direção ao acampamento
Onde estavam a conversar
Os pastores naquele instante.
Todos se põem a observar

O estranho e insólito fenômeno
Que naquele exato momento
Deixou estupefatos e extasiados
Os pastores no acampamento.

Agitam-se estremunhados
Os rebanhos no pasto recolhidos;
Os cães ladram sem parar;
E os pastores mais prevenidos

Empunham suas armas primitivas.
Tão intenso vai se tornando
O fulgor da misteriosa nuvem
Que, quanto mais vai se aproximando,

Ilumina grande parte dos campos
Daquela aprazível região,
Parecendo empalidecer o brilho
Das estrelas na escuridão.

Por algum tempo, os pastores
Ficam somente na observação
Em ansiosa expectativa
Sobre a luminosa aparição.

Eis que de repente surge
E do centro desse nevoeiro reluz
Uma figura de indizível beleza
Um ser aureolado de luz.

Os pastores, à vista da aparição,
Caem por terra, transidos de terror.
Outros fogem espavoridos…
Que seria aquilo?… Um anjo do Senhor?…
Entrementes, acercara-se deles,
Sem nenhum constrangimento,
A luminosa e estranha aparição
Que lhes disse naquele momento:

“Não temais! Eis que vos anuncio
Uma tamanha alegria,
Que caberá a todo povo:
Nasceu -vos, nesse dia,

Na cidade de Davi,
O Cristo, que é o Salvador,
E que com toda certeza
É o nosso Mestre e Senhor.

E isto vos servirá de sinal:
Um menino será por vós encontrado
Que estará envolto em faixas
E numa manjedoura deitado”.

Apenas o anjo acabou de falar,
Desfez-se a fúlgida nebulosa
Numa infinidade de seres celestes
Seres de beleza esplendorosa

Como não pode deixar de idear
A fantasia mais arrojada;
E em torno do primeiro anjo,
Como uma via-láctea formada

Entre o céu e a terra,
Começaram a girar e a bailar
Com uma graça indizível
E nesses termos a cantar:

“Glória a Deus nas alturas!
E continuando na mesma intensidade
E paz na face da Terra
Aos homens de boa vontade”.

Os pastores mal acreditavam
No que haviam presenciado;
Parecia-lhe um sonho irreal
Que eles tinham vivenciado;

Estavam inebriados do gozo
E queriam habitar eternamente
À luz daquela glória
Que os circundavam presentemente.
Pouco a pouco se foram
Os celestiais anjos cantores…
E esfregando os olhos deslumbrados,
Acabaram voltando a si os pastores.

Entreolharam-se mudos,
Em completa estupefação…
“Vamos até Belém”
Disseram alguns na ocasião

E confirmemos, então,
O que o anjo anunciou
Para todos nós senhores:
“Nasceu-vos hoje o Salvador”.

Abandonaram os seus rebanhos
E correram para Belém.
Galgaram a pequena colina
E um pouco, mais além,

Chegaram à gruta tão conhecida.
À entrada, ficaram na indecisão,
Se entravam ou se voltavam,
Devido a um estranho clarão

Que irrompia do interior.
Nisto aparece à entrada
Um homem de aspecto amável
E que, ouvindo a história contada

Pelos pastores que ali estavam,
Convida-os a entrar no ambiente
Onde confirmaram, eles próprios,
A verdade de forma patente.

Encontram um lindo menino
Em algumas faixas enrolado,
Que naquele instante preciso
Estava numa manjedoura deitado.

Ao lado dessa criança,
Uma jovem mãe se encontrava
E tanta era a vibração de amor
Que a todos contagiava.

Depois dessa visita
Voltaram às suas atividades
E espalharam por onde andaram
Essa maravilhosa novidade.
Após o nascimento de Jesus
José e Maria ainda ficaram
Algum tempo em Belém,
Se é que não intencionavam

Estabelecer-se lá definitivamente.
Belém era a terra natal
De todos os seus ascendentes;
E acabara de ser o local

Do maior acontecimento
Que o casal tinha vivenciado.
No oitavo dia de existência
O menino foi circuncidado

De acordo com a lei mosaica.
Competia ao pai, geralmente,
Executar esta cerimônia
Perante os convidados presentes.

Nesta ocasião especial
Os pais deram, com todo amor,
O nome de Jesus à criança
Que significa: “Salvador”.

Esta cerimônia foi realizada
No templo de Jerusalém
Que ficava a 13 quilômetros
Da cidadezinha de Belém.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

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Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

Capítulo 12 – O Nascimento de Jesus

 

 

 

 

 

 

Jerusalém, Atualmente

Jerusalém, Atualmente

O peregrino que atualmente
Vai à cidade de Jerusalém,
E depois anda mais 13 quilômetros
Até a famosa gruta de Belém,

Encontra um templo magnífico
E dentro dessa construção
Está a gruta onde Jesus nasceu
Para trazer ao mundo a salvação.

Debaixo do maravilho altar
Encontra-se uma estrela prateada,
Embutida no pavimento de mármore
Que por lâmpadas suspensas é iluminada.

Em torno dessa estrela
Símbolo da “Luz do Mundo”
Que despontou à meia-noite
Fulgura a inscrição ao fundo:

“Hic de Virgine Maria
Jesus Christus Natus est”,
Expressão escrita em Latim
Que é traduzida assim:

“Aqui, da Virgem Maria,
Jesus Cristo Nasceu”.
A seguir contaremos
Como isso aconteceu.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

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Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

Capítulo 11 – Jerusalém, Atualmente

 

 

 

 

 

De Nazaré a Belém de Judá

De Nazaré a Belém de Judá

Auxiliada pelo esposo José,
A gestante Maria foi colocada
Sobre o lombo de um jumento
E a viagem foi iniciada

Rumo à Belém de Judá,
Que muito longe ficava,
Mais ou menos a 100 quilômetros
Da cidade onde se encontrava.

Pelas estradas empoeiradas,
Grupos de peregrinos passavam,
Montados em animais ou a pé,
E as suas origens buscavam

Para cumprir da mesma forma
O decreto que o imperador
Havia imposto ao povo judeu
Que mais humilhado ficou.

Depois de cinco longos dias
De uma penosa jornada,
Principalmente para Maria,
Enfrentados ao longo da estrada,

Finalmente chegaram à Belém
Localizada à beira da estrada
Que conduz à cidade de Hebron,
Um pouco mais afastada.

A casaria dessa região
Derrama-se com pitoresca irregularidade
Sobre duas colinas separadas
Por uma ligeira e superficial cavidade.

Em derredor das vivendas,
Vicejam abundantes vinhedos,
Generosos e verdejantes olivais,
Imensos e pomposos figueiredos;

E mais além se desdobravam
As campinas abundantes
De chamada Beth-Sahur,
Pontuadas, a todo instante,

De ovelhas ou de cabras
Em toda a sua extensão.
Beth-Iehem quer dizer:
A “Casa do Pão”,
Ou seja “Celeiro do Trigo”;
E, de fato, na verdade,
Eram vastos os trigais
Que cobriam aquela localidade.

Na rampa da colina ocidental
Abre-se uma caverna espaçosa,
A par de outras menores,
Com a entrada para a banda oriental.

Dois solitários viajantes
Subiram nesse dia, em questão,
As colinas nas quais se assentava
Essa procurada povoação;

A jovem, montada em um jumento,
E o seu fiel esposo, a pé,
Alcançaram à cidade de Belém,
Oriundos da pequena Nazaré.

Chegaram muito cansados,
Cobertos da poeira da estrada,
E os lábios a arderem de sede
Depois dessa grande jornada.

Foram à procura de um albergue,
De algum ranchinho ou de um galpão
Onde pudessem descansar à noite
Recuperando-se dessa grande exaustão.

Baldados foram os esforços.
Por mais que José se esforçasse,
Que batesse de porta em porta,
Por mais que ele suplicasse,

E fizesse ver a necessidade
De descanso para a gestante,
Não encontrou nenhum lugar
Nas hospedarias circunstantes.

“Vinha Jesus ao que era seu 
E os seus não o receberam!”
Belém regurgitava de forasteiros
Que para lá acorreram

Atraídos pelo recenseamento;
Todas as estalagens da região
Estavam abarrotadas de peregrinos
Que chegaram com a mesma intenção;
Só mesmo a peso de ouro
Teria sido possível lograr
Uma vaga numa hospedaria
Onde se pudesse abrigar;

Mas os dois viandantes,
Conhecidos como Maria e José,
Eram pessoas pobres
Vindas da cidade de Nazaré.

Entrementes, o sol se punha
A envolver em sombras Belém,
E eles deixaram a cidade desapontados
Para buscarem um refúgio mais além.

José sabia que existia,
Nas colinas próximas à cidade,
Uma caverna bem espaçosa
E para lá se dirigiu com celeridade.

Media 10 metros de fundo
Sobre 4 metros de largura,
E o “pé direito” dessa gruta
Possuía 3 metros de altura.

Defronte dessa caverna
Tinham os pastores do local
Construído uma espécie de varanda
Ou um rancho de palhal.

Nesse abrigo recolheram-se
A futura mãe e o carpinteiro,
Arranjando-se do melhor modo possível,
Sob a luz de um candeeiro.

José preparou um leito
De palhas secas sobre o chão
Para que a futura mãe de Jesus
Pudesse descansar nessa ocasião.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
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Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá

 

 

 

 

 

Biografia de Jesus em Versos – Esclarecimentos Necessários

O Sonho Revelador

É tradição bem antiga,
Adotada como procedimento,
No dia 25 de dezembro
Celebrar o nascimento

Do querido menino Jesus.
Nessa época a estação
Do hemisfério norte é inverno;
Porém o mais provável, então,

É que Jesus tenha nascido
Na primavera ou verão;
Porque diz o Evangelho
Que nessa específica ocasião,

Conforme está registrado,
Os pastores daqueles locais
Guardavam nos campos
Todos os seus animais,

O que não acontecia no inverno,
Quando os rebanhos eram recolhidos
Aos incontáveis estábulos
Onde ficavam protegidos.

Conforme esse entendimento,
Jesus pode ter nascido, então,
Entre os meses de maio e julho,
Pois na Palestina é primavera ou verão.

Nove meses tinham decorridos
Após aquele dia memorável de fé
Em que o anjo do Senhor
Aparecera a Maria, em Nazaré.

Mas não era em Nazaré
Onde de fato deveria
Nascer o Mestre Jesus.
Quatro séculos havia

Que o profeta Miquéias
Designara como torrão natal
Do nascimento do Messias
Exatamente um outro local:“Tu, Belém de Éfrata,

Entre as principais de Judá,
Embora sendo uma pequenina cidade,
Verás surgir o chefe de Israel,
Cuja origem remonta aos dias da eternidade!”

Em Miquéias² estava afirmado
Que o filho de Davi nasceria
Na cidade real de Davi
Conforme estava nesta profecia.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
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Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

 

 

 

Biografia de Jesus em Versos – O Sonho Revelador

O Sonho Revelador

No amanhecer do dia seguinte,
José entregou-se mecanicamente
Às suas tarefas profissionais
Que ele realizava diariamente,

Sem parar um só minuto
De lembrar da revelação
Que lhe havia feito Maria
Sobre a sua misteriosa gestação.

Depois de muito refletir,
José chegou à conclusão
De que deveria abandonar Maria
Sem chamar nenhuma atenção

Para evitar um mal maior
Conforme o costume presente
De ter de acusá-la de infiel
Na frente de toda a gente.

E assim terminou o seu dia,
Ciente de como deveria agir
E tão cansado se encontrava
Que cedo da noite foi dormir.

Tão logo José adormecera,
Um sonho estranho passou a ter:
De repente, diante dele
Um anjo se fez aparecer;

Sem querer identificar-se,
Disse assim naquela hora:
Não temas quanto a tua honra.
O filho que Maria, agora,

Traz em seu ventre
Foi gerado, verdadeiramente,
Pelo Espírito Santo de Deus
E se chamará Jesus, simplesmente,

E o mesmo livrará teu povo
De todos os pecados
No outro dia pela manhã,
Depois de haver acordado,

José se encontrava convicto
De que aquele sonho vívido
Era razão mais que suficiente
Para saber o que havia ocorrido,

Maria estava grávida de Deus
E no seu ventre crescia
Um menino prodigioso
Que de Jesus se chamaria.

Isto fora tudo que o anjo dissera
E, naquela situação presente,
Parecera para o carpinteiro José
Muito mais do que suficiente.

Agora ele era outro homem
E, logo às primeiras luzes do dia,
José foi feliz ao encontro
Da sua adorada Maria.

Sentia-se muito honrado
Pelo encargo abençoado
Que o divino Pai Celestial
Lhe tinha outorgado.

Entre! Entre! Ela está lá dentro
Disse a mãe de Maria.
A idosa genitora, naquela hora,
Não sabia se chorava ou se sorria

Pela felicidade inesperada
Da visita do carpinteiro José
Que chegara com o jeito
De quem sabe o que quer

E que, com toda certeza,
Assumiria na oportunidade
O seu compromisso com Maria
Mostrando a sua lealdade.

José entrou casa dentro
E foi ao encontro de Maria
Que se encontrava ocupada
Com o tricô que produzia.

Assim que a jovem Maria
Sentiu a presença de José,
Exclamou muito intrigada:
José…! o que faz aqui, o que quer?!

Maria, minha querida!
Disse José, sensibilizado.
Por que não me disse tudo?
Oh, estou tão maravilhado!

Maria ficou intrigada
Sem ter compreendido
A reação de seu noivo
Sempre tão comedido.

Só poderia ser um milagre
Que houvesse acontecido
Para estar a sua frente
Como se nada grave tivesse ocorrido.

Um anjo apareceu-me em sonhos
E contou-me o que aconteceu
Foi o que disse o carpinteiro,
E assim Maria compreendeu

A atitude muito estranha
E completamente diferente
Que o seu noivo José
Tivera, ali, a sua frente.

O Anjo disse-me tudo
Sobre a sua gestação!
E, como que hipnotizado
Pela divina revelação,

Perguntou a sua noiva Maria
Se o nome que seria dado
À futura criança seria Jesus
Conforme o anjo havia anunciado.

Maria respondeu alegremente:
Sim, esse é o nome escolhido
E disse-lhe José emocionado:
Maria, venha morar comigo.

Deixe-me ser o pai terreno
Desta criança que está a gerar,
Ajudando-a nessa honrada missão
Que juntos iremos desempenhar,

De sermos os pais do Redentor
Que vem ensinar à humanidade
O caminho da salvação,
Do amor e da fraternidade.

E foi graças a esse gesto
Que José passou a ser considerado
Como o pai verdadeiro de Jesus,
O nosso querido Mestre amado.

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
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