O Difícil Reencontro

Após três meses de ausência,
Maria retornou a sua cidade
Decidida a enfrentar o problema
E a dizer ao seu noivo toda a verdade.

Montada em seu velho jumento,
A jovem, preocupada, desceu
A última encosta de montanha
E foi ao encontro do noivo seu.

Dirigiu-se à carpintaria
Onde seu noivo José trabalhava,
Lá chegando quando o sol
No horizonte declinava.

Conforme o costume da época,
O compromisso de um noivado
Equivalia, para todos os efeitos,
Ao de um contrato legalizado.

José era um homem maduro,
Bem mais velho que Maria;
Mas, apesar de sua idade,
Muito carinho por ele ela sentia.

Assim que José ouviu
Um discreto relincho do jumento,
Levantou seus olhos e avistou
A sua noiva naquele momento.

Imediatamente o seu rosto
Iluminou-se de grande alegria,
Pois naquele instante chegara
A sua linda noiva Maria.

Maria! Afinal, tenho-a de volta,
Depois de muito tempo, não é?
E vem mais bela e cheia do que nunca!
Exclamou o carpinteiro José,

Largando imediatamente a plaina
E esfregando as suas mãos
Para limpá-las da serragem
Que caía ao redor no chão.
Aproximou-se de sua noiva
Que foi logo lhe dizendo:
Mais cheia…?  repetiu ela,
Sem saber o que estava acontecendo.

… mais cheia de graça!
Emendou ele, generoso,
Mostrando a sua noiva
O seu lado gentil e carinhoso.

José preciso muito lhe falar!
Assim disse sem da alimária apear
Dando graças pelo manto
Que a gravidez estava a ocultar.

Pois fale, Maria, fale sempre!
Disse-lhe naquele momento
Estendendo os seus braços
Para descê-la do jumento.

Tão logo ele a colocou
De pé sobre o chão,
O manto estendeu-se
Sobre o corpo de Maria e, então,

Ele pôde perceber,
Naquele instante somente,
Que havia se tornado visível
O seu ventre proeminente.

Estou esperando um filho
Disse-lhe Maria constrangida.
Um filho?  balbuciou José,
Recuando logo em seguida

Sem compreender direito
O que se passava no momento.
Depois de alguns instantes,
Vencido o constrangimento,

José serenou-se um pouco
E perguntou-lhe em última instância,
Da forma que qualquer homem faria
Se estivesse nessa circunstância:

Em nome de Deus!
Espera um filho… de quem?
Não sei explicar
Disse Maria num sussurrar…

Sei apenas que não o traí
E que, apesar de estar gestante,
Permaneço virgem do mesmo jeito.
José, fixando Maria naquele instante,

Ficou ainda mais aparvalhado.
 Maria, Maria por favor,
Atente para o que está dizendo
Disse ele em estado de estupor

E também muito apiedado
Da tamanha ingenuidade
Que acreditava ter sua noiva
Ainda tão jovem em idade.

Não me pergunte mais nada,
Pois nem eu saberia explicar
Disse Maria preocupada
Se ele iria ou não nela acreditar.

Naquele mesmo instante,
Ela tornou a montar o animal
Que retomou o caminho
Para fora daquele local.

José não fez nenhum gesto
Para não deixá-la partir
E ficou apenas observando-a
Afastar-se para longe de si

Até que ela desaparecesse
Numa curva da estrada
Retornando para a casa da mãe
Onde era muito aguardada.

“Espera um filho que não é meu…
Mas diz que não houve traição…
E que ainda permanece virgem!”
José pensou nessa situação

Até a hora de pôr-se na cama
E ficou um bom tempo acordado,
Entregue às suas cogitações
Sem chegar a nenhum resultado.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro