De Nazaré a Belém de Judá

Auxiliada pelo esposo José,
A gestante Maria foi colocada
Sobre o lombo de um jumento
E a viagem foi iniciada

Rumo à Belém de Judá,
Que muito longe ficava,
Mais ou menos a 100 quilômetros
Da cidade onde se encontrava.

Pelas estradas empoeiradas,
Grupos de peregrinos passavam,
Montados em animais ou a pé,
E as suas origens buscavam

Para cumprir da mesma forma
O decreto que o imperador
Havia imposto ao povo judeu
Que mais humilhado ficou.

Depois de cinco longos dias
De uma penosa jornada,
Principalmente para Maria,
Enfrentados ao longo da estrada,

Finalmente chegaram à Belém
Localizada à beira da estrada
Que conduz à cidade de Hebron,
Um pouco mais afastada.

A casaria dessa região
Derrama-se com pitoresca irregularidade
Sobre duas colinas separadas
Por uma ligeira e superficial cavidade.

Em derredor das vivendas,
Vicejam abundantes vinhedos,
Generosos e verdejantes olivais,
Imensos e pomposos figueiredos;

E mais além se desdobravam
As campinas abundantes
De chamada Beth-Sahur,
Pontuadas, a todo instante,

De ovelhas ou de cabras
Em toda a sua extensão.
Beth-Iehem quer dizer:
A “Casa do Pão”,
Ou seja “Celeiro do Trigo”;
E, de fato, na verdade,
Eram vastos os trigais
Que cobriam aquela localidade.

Na rampa da colina ocidental
Abre-se uma caverna espaçosa,
A par de outras menores,
Com a entrada para a banda oriental.

Dois solitários viajantes
Subiram nesse dia, em questão,
As colinas nas quais se assentava
Essa procurada povoação;

A jovem, montada em um jumento,
E o seu fiel esposo, a pé,
Alcançaram à cidade de Belém,
Oriundos da pequena Nazaré.

Chegaram muito cansados,
Cobertos da poeira da estrada,
E os lábios a arderem de sede
Depois dessa grande jornada.

Foram à procura de um albergue,
De algum ranchinho ou de um galpão
Onde pudessem descansar à noite
Recuperando-se dessa grande exaustão.

Baldados foram os esforços.
Por mais que José se esforçasse,
Que batesse de porta em porta,
Por mais que ele suplicasse,

E fizesse ver a necessidade
De descanso para a gestante,
Não encontrou nenhum lugar
Nas hospedarias circunstantes.

“Vinha Jesus ao que era seu 
E os seus não o receberam!”
Belém regurgitava de forasteiros
Que para lá acorreram

Atraídos pelo recenseamento;
Todas as estalagens da região
Estavam abarrotadas de peregrinos
Que chegaram com a mesma intenção;
Só mesmo a peso de ouro
Teria sido possível lograr
Uma vaga numa hospedaria
Onde se pudesse abrigar;

Mas os dois viandantes,
Conhecidos como Maria e José,
Eram pessoas pobres
Vindas da cidade de Nazaré.

Entrementes, o sol se punha
A envolver em sombras Belém,
E eles deixaram a cidade desapontados
Para buscarem um refúgio mais além.

José sabia que existia,
Nas colinas próximas à cidade,
Uma caverna bem espaçosa
E para lá se dirigiu com celeridade.

Media 10 metros de fundo
Sobre 4 metros de largura,
E o “pé direito” dessa gruta
Possuía 3 metros de altura.

Defronte dessa caverna
Tinham os pastores do local
Construído uma espécie de varanda
Ou um rancho de palhal.

Nesse abrigo recolheram-se
A futura mãe e o carpinteiro,
Arranjando-se do melhor modo possível,
Sob a luz de um candeeiro.

José preparou um leito
De palhas secas sobre o chão
Para que a futura mãe de Jesus
Pudesse descansar nessa ocasião.

 

Autor:Arnaldo de Araújo rocha
Biografia de Jesus em Versos

Capítulo 1 – Ponto de Vista

Capítulo 2 – Visão de Zacarias

Capítulo 3 – Maria, A Futura Mãe

Capítulo 4 – Maria Visita sua Prima Isabel

Capítulo 5 – João, O Anunciador do Messias

Capítulo 6 – O Difícil Reencontro

Capítulo 7 – O Sonho Revelador

Capítulo 8 – Esclarecimentos Necessários

Capítulo 9 –  O Recenseamento

Capítulo 10 – De Nazaré a Belém de Judá